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Franz Weissmann e o descaso com Arte Moderna no Rio de Janeiro

Postado por Lacave 11/10/2017 0 Comentário(s) Notícias,
A relação do governo e do povo brasileiro com arte sempre foi um tópico delicado. Em um país que nunca foi um dos maiores incentivadores de arte e que, atualmente, vem sofrendo ondas conservadoras não só de censura como também agressões verbais, físicas e morais à institutos e artistas. Em um país em que muitos acreditam que museu não é para todos e o acesso à arte deveria ser controlado. 
 
Tendo dito isto, para mim, é como uma redundância tentar exemplificar a delicada relação, portanto, com arte moderna, experimental e contemporânea. Enquanto movimentos, a busca pela quebra dos padrões, o distanciamento da noção de artista-gênio e a tentativa de aproximação da arte à vida cotidiana, à questões atemporais, vive apenas em teoria pois na prática esses movimentos artísticos residem em uma utopia bem distante do povo e da sua compreensão. Isto, somado ainda ao elitismo do mundo da arte e à sensação de você precisar estar na “bolha” do meio artístico, precisar estudar ou trabalhar com arte, para conseguir entender as motivações de alguém que expõe placas de ferro com dobradiças e todos veneram como obra-prima. 
 
Precisei tocar nesses dois pontos para conseguir iniciar a minha análise comparativa entre as obras de Franz Weissmann, que se encontram nos arredores da Praça Tiradentes, centro do Rio de Janeiro, e o monumento à D. Pedro I, que se encontra bem no centro da mesma praça. As esculturas de Weissmann (fotos abaixo) e o monumento à D. Pedro I se opoem em inúmeros aspectos. Um deles é a clara diferença em termos estéticos, de técnica e material. Imediatamente, não precisa-se saber nada de arte para fazer as relações de que “D. Pedro I” é clássico, aquilo que todos pensam quando ouvem a palava escultura, a representação realista, inúmeros detalhes, a peça que conta uma história e a noção do grande artista por trás de tal feito, nesse caso, um projeto realizado na França pelos artistas Louis Rochet e Auguste Rodin mas criado pelo artista brasileiro João Maximiano Mafra. Enquanto Weissmann é o artista moderno que certamente causaria mais impacto com suas obras se as mesmas não estivesse completamente apagadas no ambiente em que estão inseridas. O que me leva ao segundo aspecto e o mais impactante quando se chega ao arredores da Praça Tiradentes, o descaso. 
Primeiro, a localização das peças não é convidativa ao público, pelo contrário, ambientes que exalam odor de urina forte, moradores de rua dormindo pelos cantos, usuários de drogas e um ar de que a qualquer momento você será assaltada. Confesso que as fotografias que tirei, afim de ilustrar o texto, foram complicadas de conseguir. Não é novidade para ninguém, muito menos para olhos turísticos, a violência urbana que vivemos na cidade. Para fotografar a escultura sem-título amarela tive que aguardar um morador de rua terminar de urinar na obra, enquanto olhava para mim. Nem ao menos me aproximei muito por mais que alguns segundos da escultura. Já o monumento à D. Pedro I está no centro de uma praça ampla e bem movimentada, com comércio e pontos de ônibus ao redor e, claro, uma viatura da PMRJ (foto abaixo). 
Fora isso, há também o pavoroso descaso com a conservação das obras de Weissmann, pixadas, remendadas e com grande deteriorização, enquanto o monumento encontra-se envolto por grades protetoras de ferro. Sabe-se que a própria filha de Weissmann, Waltraud, busca maneiras de preservar o legado do pai e que o jornal O GLOBO publicou na capa do seu Segundo Caderno, uma matéria em que denunciava os riscos que as obras corriam e iss tudo há anos atrás. Isso porque estamos falando de Franz Weissmann, grande escultor moderno no Brasil, contemporâneo de grandes artistas como Hélio Oiticica, integrante do Grupo Frente e premiado, nos anos 70, como melhor escultor pela Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). O que pensar então sobre a realidade da valorização, exposição e conservação da arte moderna no país, principalmente se tratando de artistas sem tanta visibilidade? 
 
O último aspecto que levanto discussão é em relação às temáticas. Em Weissmann, obras que já concluimos que são tratadas com total descaso, vemos a própria escultura como tema, o espaço que ocupa, a valorização dos vazios e formas, mesmo que mínimas, firmes. Segundo o artista, “Minha escultura é uma conseqüência natural de minha necessidade de síntese: dizer com o mínimo de elementos”. Em “D. Pedro I” vemos uma representação do ato da independência, D. Pedro I em cima de um cavalo com um dos braços levantados. Nas faces laterais abaixo vemos as armas de Bragança em bronze, vigiadas por dragões em ouro, as vinte províncias do Brasil na época e a frase “A Dom Pedro Primeiro, Gratidao dos Brasileiros”. Abaixo disso, índios, animais e os quatro maiores rios brasileiros. Ao redor, nas colunas da grade, vemos ainda datas que representam “fatos importantes” como o nascimento de D. Pedro I, seu primeiro e segundo casamento e outros acontecimentos que rodeiam sua vida. O que vejo é o descaso às novas temáticas, à nossa realidade prática e a valorização do velho, que nesse caso é uma colonização europeia branca, agressiva, preconceituosa e escravocrata, que se coloca acima da população nativa e do próprio território e de suas características, para tomar seu trono de ouro.
 
 
 
 
Ana Carolina Lacave